Prefeitura precisa investir na saúde do servidor público, defende presidente do Sindicato dos Municipários de Panambi

O presidente do Sindicato dos Municipários de Panambi, Silvano Muniz de Abreu, esteve na Rádio Sulbrasileira nesta segunda-feira (21) para falar sobre a reportagem que revelou a quantidade de dias que os servidores públicos não trabalharam por apresentarem atestados e os quais cargos que mais apresentaram faltas.

Durante o programa Alô Comunidade, Silvano respondeu aos questionamentos dos apresentadores Cláudio Dias e Renato Bueno e defendeu os funcionários da administração municipal, que na sua concepção são os maiores responsáveis por fazer com que a máquina do município gire e ocorra a prestação de serviços públicos. 

Ele frisou que os afastamentos por atestados são devido aos problemas de saúde enfrentados pelos trabalhadores. 

“Quando vem uma matéria nesse sentido, com esses números que são astronômicos aos leigos, que não são poucos na sociedade, a gente fica questionando esses números da forma que foi apresentado. 52 mil dias de atestado em um ano. 84,77% dos servidores apresentaram atestado. Sabemos que de fato a grande maioria é problema de saúde que esses servidores estão enfrentando.”

O assunto segue em debate na Rádio Sulbrasileira. Na manhã desta terça-feira (22), o secretário de Administração André Batista esteve na emissora para falar sobre os dados apresentados pela administração municipal. Para mais informações, acompanhe a nossa programação.

Ouça a entrevista completa:

Confira os principais momentos da entrevista do presidente do Sindicato dos Municipários ao programa Alô Comunidade.

Problema antigo

Conforme o presidente do sindicato, a quantidade de faltas devido a atestados não é um problema de hoje. “Entrei em 2009 na administração municipal como funcionário público […] e vi muita reclamação por parte do pessoal do prefeito Miguel e falavam muito da questão dos atestados”, declara. “Se hoje está assim a situação, imagina nos dois últimos anos.”

Para Silvano, mais do que divulgar estes dados, é necessário que o Município trabalhe em prol da saúde do servidor público. Na sua visão, por mais que a gratificação para os servidores que não apresentarem faltas nem mais de um atestado foi um avanço de classe, mas considera que é pouco perto do que ouviu durante a de campanha eleitoral. 

Lembro quando o prefeito Daniel ainda em campanha esteve no sindicato. […] Enquanto a gente discutia, comentávamos a respeito da saúde do trabalhador, o que seria feito para tratar da saúde do trabalhador. Já era de conhecimento nosso o problema relacionado à saúde dos servidores. Foi sugerido algumas situações e até disse que tinha a intenção de colocar um profissional da área da saúde [no setor de Recursos Humanos]. Mas achávamos que deveria ser uma psicóloga para ver o que está acontecendo, quais são os problemas e o que pode ser feito para minimizar a doença do servidor público”, afirma.

Prejuízos

Em relação à reportagem realizada pela Rádio Sulbrasileira, o presidente do Sindicato dos Municipários faz algumas contestações. ”Foi falado que esses atestados geraram R$ 1 milhão de prejuízo. Não posso olhar dessa forma, foi R$ 1 milhão em investimento para tratar a saúde dos servidores. É assim que eu vejo.”

Para ele, prejuízo são as indenizações que a administração está pagando para servidores que estão desvio de função. “E isso é prejuízo quando não se toma nenhuma iniciativa de zerar o problema. São 65 servidores nesta situação. A princípio, metade retornaram para sua função.

“Os prejuízos são muito grande aos cofres públicos e precisa regularizar”, afirma. “Quando for tirado do desvio de função, arranca uma ação judicial cobrando as diferenças salariais e de R$ 50 mil no mínimo.”

“Não podemos generalizar”

O presidente do Sindicato dos Municipários, Silvano Muniz de Abreu, saiu em defesa aos servidores municipais dos comentários feitos nas redes sociais após a divulgação da reportagem. 

É lamentável. Nós como servidores temos orgulho de ser servidor público, a gente presta o nosso serviço dentro das condições que a gente recebe. […] Sei que nós temos, em maioria absoluta, pessoas de bem, bom profissionais que estão ali para fazer o melhor pela sociedade”, ressalta. “Não podemos generalizar. Deu a entender que servidores se aproveitavam da situação.

Na sua opinião, houve um ataque generalizado contra os trabalhadores, que em sua grande maioria fizeram uso de atestado para se afastarem utilizando atestados.

Temos colegas que infartaram dentro da prefeitura. Temos colegas que estão afastado por doença grave, como câncer, que estão afastado e estão somados a esta estatística. […] Só na área da educação, que está entre as três que mais apresentaram atestados, olha quantos alunos diferentes eles têm contato no dia-a-dia e quantas tipos de doenças estão expostas. É natural e normal que se tenha todos os dias baixas nesses de apresentação de atestado, porque estão exposta aos mais diversos tipos de doença.

Questionado sobre a repercussão da matéria, afirmou que não contatou o prefeito Daniel Hinnah ou o secretário de Administração, André Batista, após a divulgação da reportagem. Ele informou que esteve em reunião na prefeitura na semana passada dias antes da matéria ser publicada e não foi informado sobre os dados apresentados. “Já poderíamos ter discutido o assunto dentro da prefeitura.”

Por fim, Silvano ressalta que o sindicato nunca defendeu servidores que de fato não cumprem as funções deles. Lembra que os servidores que não cumprem seus deveres podem ser mandados embora. “Sempre trabalhamos cobrando os nossos direitos mas nunca esquecemos dos nossos deveres.”