Operação combate delitos de extorsão sexual praticados pela internet

Em entrevista à Rádio Sulbrasileira, o delegado André Anicet, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), falou sobre a Operação Sextorsion, deflagrada com o objetivo de combater os delitos de extorsão sexual praticados pela internet.

A ação cumpriu cinco medidas cautelares em Farroupilha, Caxias do Sul e Montenegro, sendo três mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva.

No programa Alô Comunidade, Anicet afirmou ao apresentador Renato Bueno que os criminosos utilizavam nomes e imagens de policiais civis para cometerem esses delitos.

“Temos notado que estes golpes tem aumentado bastante e as pessoas tem que tomar cuidado para não serem vítimas”, alerta.

O delegado explica que, na maioria dos casos, os criminosos criam perfis falsos na rede social Facebook de uma mulher jovem e atraente que aparentemente não são menores de idade.

As vítimas normalmente são homens de meia idade. Ela solicita amizade e passa a conversar no Messenger do Facebook e posteriormente no WhatsApp.

“Ela começa a passar fotos nuas e pede que a vítima faça o mesmo. Alguns passam e aí começam as extorsões”, explica.

Surgem supostos familiares que acusam o homem de pedófilo. Geralmente, é um suposto pai da menina exigindo um determinado valor para o tratamento psicológico da adolescente. Caso ele não pague, os criminosos ameaçam ir até à Delegacia registrar o fato.

Em seguida, surge outro criminoso, dizendo ser policial civil, e exige uma dinheiro para arquivar o procedimento policial. Ele chega a enviar boletins de ocorrências falsos, com foto da vítima, ameaçando já ter solicitado a prisão preventiva pela prática do crime de pedofilia.

“Eles conseguem até fazer vídeos na frente de um banner na Polícia Civil utilizando materiais comprados pela internet. Eles acabam acreditando que é real”, explica o delegado.

Na investigação, foi apurado quem recebia os valores e para onde iam. A partir disso, solicitaram as medidas judiciais.

Durante a operação, foram presos preventivamente uma mulher em Farroupilha e um homem em Caxias do Sul, sendo apreendidos diversos materiais entre celulares, contas bancárias e notebook, que serão posteriormente analisados para identificação de eventuais novas vítimas e para corroborar com o acervo probatório até então juntados aos autos. 

Em Farroupilha, na chegada dos policiais, a mulher jogou o celular pela janela dos fundos da residência. O celular foi encontrado durante as buscas.

Ainda de acordo com o delegado, um dos criminosos envolvidos está recolhido ao sistema prisional gaúcho e os outros dois estão em liberdade recebendo os depósitos em suas contas bancárias. Pelo menos sete vítimas foram identificadas dessa mesma associação criminosa.

Celulares também foram encontrados na cela de uma prisão, onde cumpre pena o irmão da mulher presa na operação de hoje. A busca contou com o apoio da Susepe.

O delegado ressalta que as vítimas desse golpe devem fazer o boletim de ocorrência. “Não adianta fazer só uma denúncia anônima. Tem que ter o registro e o relato da vítima para poder responsabilizar os criminosos no futuro.”

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