“Não consigo dormir quando ocorre um homicídio”, afirma delegado de Polícia de Panambi

Em entrevista ao programa Alô Comunidade, o Delegado de Polícia de Panambi, Gustavo Fleury, realizou um balanço sobre o trabalho da Polícia Civil durante em 2019.

O apresentador Renato Bueno iniciou a entrevista falando sobre o número de homicídios registrado no município neste ano. Ao todo, foram seis, um número que o delegado considera muito alto.

“Não consigo dormir quando ocorre um homicídio. Me chateia. Porque eu fico matutando que eu tenho que resolver aquilo, porque eu não posso deixar passar em branco. Essa responsabilidade e essa preocupação que eu como delegado de polícia tenho pode ter certeza que é o retrato da Polícia Civil de Panambi” desabafa.

Recordou de alguns casos de homicídio que ocorreram este ano, desde o primeiro, registrado no dia 1º de janeiro deste ano, que resultou no assassinato de dois irmãos. “Foi um caso atípido, duas mortes envolvendo uma briga entre famílias. É uma coisa que a gente não vê acontecer e não tem como prever”, afirma. Fala também do caso em que um homem suspeito de praticar furto na Kepler Weber foi baleado por um vigilante. Embora, o caso seja de legítima defesa, foi registrado como homicídio.

Porém, na maioria dos assassinatos há provas de envolvimento com o tráfico de entorpecentes, incluído o último homicídio, registrado no Alves Klasener, que culminou na morte de Mariane Roseli da Silva Brandão, de 34 anos. “Essa é a nossa maior preocupação. A gente vem batalhando, batendo forte na questão do tráfico de drogas, com a prisão de membros de facção de tráfico de drogas. Infelizmente, é a nossa realidade, não só em Panambi, mas de todo o RS, a migração destas facções para o interior do Estado, e com isso, nós temos casos de homicídios de forma mais violenta acontecendo em pequenos municípios, que nos anos anteriores não tínhamos. infelizmente, Panambi entrou para esse quadro.”

Tráfico de drogas

Na visão de Fleury, embora as ações envolvendo o tráfico de drogas estão sendo intensificadas, acredita que a Polícia Civil acaba “enxugando gelo”. Acredita que é necessário atuar ainda mais na prevenção, com medidas educativas de prevenção e até endurecendo a pena para usuários.

Se o tráfico existe, é porque existe o usuário que compra. Se essas pessoas que compram e são viciadas tivessem a consciência de que no momento que estão adquirindo este tipo de droga estão fomentando o tráfico, estão dando dinheiro para que essas pessoas comprem armas e se fortaleçam e pratiquem crimes – porque a gente sabe que o tráfico de drogas fomenta prática de roubos, furtos e o crime organizado“, afirma.

Para o delegado, caso a Polícia Civil não continue a combater o tráfico de drogas, os números de homicídio poderão ser ainda maiores em 2020. “Apesar de todos os acontecimentos, acredito que fizemos um bom trabalho. a Polícia Civil e esclareceu todos os os homicídios. Dos seis, continuamos trabalhamos em apenas um.”

Fleury também ressaltou que, neste ano, mais de 40 pessoas foram indiciadas por tráfico de drogas em Panambi. Além disso, mais de 65 prisões foram efetuadas pela Delegacia de Polícia de Panambi, sendo a que mais prendeu na região. “Esses dados reforçam que a Polícia Civil do nosso município fez um trabalho bastante significativo nessa questão da segurança pública.”

Para 2020, Fleury vai batalhar para obter um incremento de servidores para continuar combatendo a criminalidade no município, especialmente na questão do tráfico de entorpecentes e das facções criminosas.

“A ocasião faz o ladrão”

Apesar do número de furtos estarem em queda em Panambi, o delegado ressalta que os casos ainda são frequentes e que a população precisa se precaver. “Vemos ainda, infelizmente, muitas vítimas que ainda não demonstram aquela cautela necessária com seu próprio bem dentro da residência. Ainda encontro ocorrências de furtos de objetos de valor altos dentro de veículos estacionados nos pátios de residências com portas e janelas abertas“, afirma, ressaltando que a comunidade tem que prestar atenção nestas questões para que os números não voltem a aumentar. “A ocasião faz o ladrão.”