Homicídio no Bairro Italiana pode ter sido uma execução relacionada ao tráfico de drogas

O delegado de Polícia de Panambi, Gustavo Fleury, esteve no programa Alô Comunidade na manhã desta segunda-feira (14) e forneceu mais informações sobre o homicídio que ocorreu no Bairro Italiana neste final de semana. Darci da Silveira Barbosa, 45 anos, natural de Panambi, foi morto em uma residência localizada na Rua Mondaí. Este é o segundo homicídio registrado no município em 2020.

“O que se evidenciou na primeira cena que muito provavelmente trata-se de uma execução. A vítima teria levado disparos de arma de caça, provavelmente calibre .12 na cabeça. Então é bem contundo os indícios de execução.”

Conforme o delegado, a companheira de Darci alegou em depoimento que usa medicamentos controlados e alegou que sequer ouviu os tiros. “Ela escutou barulhos e quando levantou-se encontrou o companheiro morto, não viu os atirados ou veículo. Então, não nos trouxe informações esclarecedoras que se referem a este fato.”

Fleury também falou sobre o possível envolvimento com o tráfico de drogas. “Darcy era conhecido da polícia. Ele foi preso em flagrante pela Brigada Militar em novembro de 2018. Eu era o delegado plantonista aquele dia e fiz o auto de prisão de flagrante dele, foi preso com cerca de R$ 5 mil e tinha vários tipos de drogas – como a LSD – o que não é muito comum.”

Na época, o inquérito policial indiciou Darcy e seu amigo que foi detido junto por tráfico de drogas. Esse processo ainda corre na justiça de Panambi, não houve sentença até o momento. No entanto, em janeiro deste ano, Darcy recebeu benefício da liberdade provisória.

“A nossa linha de investigação é o tráfico por esses antecedentes e também porque nas últimas semanas a polícia recebeu denúncias dando conta que nesse residência onde ele acabou sendo morto seria um ponto de tráfico. Estávamos iniciando uma nova investigação em cima do Darcy em razão das novas denúncias que estavam chegando. Todas essas informações, junto com os antecedentes e o modos operantis da execução nos leva a crer que esse homicídio será relacionado ao tráfico de drogas.”

Primeiro homicídio em investigação

Ainda na entrevista, o delegado Gustavo Fleury afirmou que a Polícia Civil de Panambi segue investigando o primeiro homicídio registrado em 2020 no município. O mototaxista Luiz Carlos de Campos, 41 anos, foi morto no dia 1º de agosto no Bairro Becker, após uma briga no interior de um bar na Rua Peru.

“O inquérito está praticamente pronto. Estamos aguardando apenas alguns laudos do Instituto-Geral de Perícia (IGP), de exames laboratoriais realizados na vítima. São para verificar se a vítima ingeriu bebida alcoólica, usado algum tipo de droga ou medicamento. Esses exames são coletados no momento da necropsia e se encaminha para Porto Alegre, que concentra a demanda do Estado inteiro. Então, por vezes, eles demoram um pouco.”

Conforme o delegado, a hipótese de legítima defesa alegada pelo autor do homicídio, que se apresentou na delegacia três dias após o assassinato, não encontra respaldo no conjunto probatório, ou seja, não foi comprovado durante as investigações policiais. Sendo assim, ele será indiciado por homicídio. “Chegando os laudos que faltam, encaminharemos ao Poder Judiciário.”

Polícia analisa diferentes versões de suposto assalto na Bica D’água

Questionado pelo apresentador Renato Bueno, o delegado Gustavo Fleury falou sobre o caso de um homem que chegou no Pronto Socorro de Panambi e afirmou ter sido vítima de uma tentativa de roubo próximo da bica d’água na BR-158 na noite do dia 23 de agosto, domingo, por volta das 21h20. Ele alegou que estava buscando água quando foi abordado por dois homens e, após reagir, foi atingido por dois disparos de arma de fogo.

No entanto, a polícia não acredita nesta versão. “Este assalto na bica d’água é bastante incomum. Ele relata que estava com a família e teria ido a pé, baleado, da bica d’água até o hospital da cidade, uma distância bastante considerável. Ele disse que a família foi embora para Palmeira das Missões. Nunca vi uma esposa ir embora e deixar o marido ir apé para o hospital. Então, esse relato não condiz com a realidade.”

No entanto, há versões diferentes foram apresentadas pela vítima na época do fato. “Esse fato encontra-se em investigação. Existem várias versões, a polícia vai ter que esmiuçar todas elas, mas não acreditamos que isso possa ter ocorrido em um primeiro momento. Por essa razão, estamos realizando diligências em Palmeira das Missões, onde reside a suposta vítima.”

Em outra versão dada pela vítima, disse que teria brigado com parentes no Bairro Esperança. No entanto, conforme o delegado, ninguém ouviu disparos de arma de fogo, sendo descartado pela polícia.

Fleury destaca que isso atrapalha o trabalho policial. “Quando a vítima traz pro inquérito diversas versões que não se confirmam, a gente passa a desacreditar naquilo que ela nos diz. Daqui a pouco, ela se envolveu em outra situação em que foi baleada e quer desmascarar essa versão. Por isso é importante que a gente investigue bem essa questão.”

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