Fiocruz indica possível desaceleração de Síndrome Respiratória Aguda no Brasil

Novos dados do sistema InfoGripe indicam que as medidas de isolamento social, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), podem estar apresentando os primeiros resultados positivos no Brasil. A ferramenta coordenada pela Fiocruz e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou, no período de de 22 a 28 de março, uma desaceleração no número de casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), ainda que a quantidade continue extremamente elevada, bem acima do padrão histórico. 

Os registros mostram uma taxa de crescimento menor do que as apresentadas nas semanas anteriores, quando houve um aumento explosivo de casos de SRAG. “Os dados sugerem desaceleração, mas é necessário ter cautela”, afirma o pesquisador do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), Marcelo Gomes, que coordena o InfoGripe. Gomes explica que a desaceleração observada também pode estar associada a gargalos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), já que a atualização das notificações nos bancos de dados leva algum tempo, sobretudo, em um momento como o atual de trabalho redobrado para os profissionais e de imensa demanda nas UBS. 

“Tal característica pode ser tanto reflexo de uma real desaceleração (fruto das medidas de distância social implementadas no território nacional nas últimas semanas), quanto reflexo do aumento no tempo para digitalização das fichas de notificação, por sobrecarga das equipes dedicadas à isso em cada unidade de saúde ou vigilância municipal/estadual”, afirmou Gomes. “Tal situação poderá ser melhor avaliada na próxima atualização do sistema, ao término da 14ª semana [em 4/4]”.  

Houve também uma mudança no perfil etário dos casos registrados, que nos anos anteriores costumava ser de predominância de crianças com menos de 2 anos, passando agora para indivíduos de mais de 60 anos, uma faixa que está associada a casos mais graves do novo coronavírus. Segundo o coordenador do InfoGripe, essa mudança pode estar relacionada ao Covid-19. “Isso ainda não está definido e depende de mais dados”, comentou Gomes. 

Na divisão por regiões, o Sul do país tem apresentado atividade semanal alta, enquanto as demais regiões mostram atividade semanal muito alta. Em nível estadual, 21 das 27 unidades da Federação encontram-se em atividade alta (2) ou muito alta (19).

Gomes lembra que na semana anterior, de 15 a 21 de março, dos 5,5 mil casos observados, 4,6 mil apresentaram resultados laboratoriais negativos para os vírus que foram testados no painel de agentes infecciosos usado pela vigilância de SRAG, que inclui influenza A, influenza B, adenovírus e outros que circulam sazonalmente no Brasil e são mais comumente associados a esse agravo em particular. Historicamente, o número de negativos costuma oscilar entre 50% e 60%. Outros 460 ainda não apresentavam resultados informados no banco de dados. Para fins de comparação, na mesma semana de 2019, cerca de 64% dos casos notificados tiveram resultado negativo para os testes do painel.

Gomes lembra que foi no meio da primeira semana da segunda quinzena de março que houve alteração no protocolo de testes e inclusão da Covid-19 como parte do painel de testes. “No banco de dados ainda não é possível identificar quais desses 4,6 mil negativos foram testados para o novo coronavírus e quais não foram. Isso é fundamental para sabermos, dentro desse conjunto, quais foram descartados, pois já testaram negativo para a Covid-19, e quais não foram ou que poderiam ser retestados no futuro”.

Fonte: Fiocruz

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