Escolas infantis pedem reabertura gradual com protocolos de segurança

Fechadas desde 19 de março devido ao isolamento necessário para prevenir o coronavírus, escolas infantis pedem a reabertura gradual das atividades com protocolos de segurança. Na manhã desta sexta-feira (29), proprietários de estabelecimentos da rede particular de Caxias do Sul participaram de uma videoconferência com o secretário estadual da Educação, Faisal Karam. O encontro virtual, mediado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo (PP), contou com a presença do deputado Carlos Búrigo (MDB).

Ao abrir a reunião, Polo falou sobre a importância de colocar os envolvidos em contato para conversar e buscar caminhos para as dificuldades dos pais e das escolas. “Em muitas cidades, várias atividades foram retomadas e muitos pais que voltaram ao trabalho não têm com quem deixar seus filhos”, comentou.

A presidente do Sindicato das Instituições de Educação Infantil Particulares de Caxias do Sul (Sinpré), Christiane Welter Pereira, relatou as dificuldades do setor na cidade, já que, segundo ela, 40% dos pais precisam com urgência a volta das atividades para deixarem seus filhos com segurança. “Temos trabalhado muito sobre a volta, com a criação de protocolos de segurança. Queremos que a volta seja segura e organizada para atender às famílias que precisam. O ensino privado está à beira da falência”, comentou.

Outros donos de escolas infantis relataram dificuldades financeiras com o não pagamento das mensalidades, e que muitos pais precisam deixar seus filhos com “mães crecheiras”, avós ou em locais irregulares que acabam surgindo devido à necessidade. A sugestão é receber autorização para funcionar, já que o número de crianças não seria o mesmo de antes da crise, uma vez que muitos pais não mandariam seus filhos para as escolas mesmo com a reabertura.

Números apresentados pelo Sinpré mostram que as escolas de educação infantis privadas atendem a nove mil crianças em Caxias do Sul, com três mil funcionários diretos e outros 800 terceirizados em 198 estabelecimentos. A estimativa é de 400 demissões até o momento, com 30% das escolas com dificuldades e ameaça de fechamento. “A pandemia vai passar, por isso precisamos que as escolas estejam em funcionamento depois disso para que possam atender nossos filhos. Então, precisamos equacionar a questão para que consigam continuar prestando serviços à sociedade gaúcha”, analisou o deputado Búrigo.

O secretário Faisal informou que a educação infantil é a parte mais sensível da educação no enfrentamento à pandemia. Ele comentou que ainda há incerteza sobre como e quando voltar às atividades, porque não há muitas referências. Faisal exemplificou o caso da França, que foi um dos primeiros países a iniciar um processo de reabertura, mas que teve um revés e precisou fechar 70% dos estabelecimentos. “Hoje, a situação está controlada no Estado, mas temos uma curva ascendente de contágio. O pico pode chegar no fim de junho ou até fim de julho”, disse.

Faisal pediu ao grupo o protocolo elaborado para a retomada das atividades e disse que o cronograma do governo do Estado pode ser revisto e até antecipado dependendo das bandeiras de cada região. Uma nova reunião sobre o tema deve ocorrer nos próximos dias.

Fonte: Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul

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