Caso Rafael: MP denuncia mãe por homicídio qualificado e ocultação de cadáver

O Ministério Público denunciou Alexandra Dougokenski, mãe de Rafael Mateus Winques, por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica, fraude processual. A denúncia da promotora Michele Taís Dumke Kufner foi apresentada ao Poder Judiciário nesta sexta-feira (10).

De acordo com o documento, a mãe se sentiu incomodada pelo fato do filho não obedecê-la e continuar a usar o celular para jogos on-line. Como isso poderia refletir no comportamento do filho mais velho, Alexandra planejou uma forma de “eliminar” Rafael. Para isso, retirou da casa da sua mãe compridos de diazepam e os guardou até o momento em que utilizou no dia 14 de maio, após repreender Rafael. A mãe fez pesquisas na internet de como utilizar substâncias tóxicas para diminuir a resistência das vítimas e assistiu a filmes onde o prazer sexual era alcançado por meio de violência, asfixia e uso de máscara.

Entre as 23 horas do dia 14 de maio e 00h30 do dia 15, ela fez com que o filho mais novo tomasse dois comprimido – cuja ingestão foi comprovado por laudos periciais – e aguardou em seu quarto até que o medicamento fizesse efeito.

Por volta das 2h, a denunciada, verificando que a resistência da criança foi reduzida devido ao medicamento, Alexandra, munido com uma corda estrangulou Rafael até que ele sufocasse, conforme o laudo da necropsia.

Após constatar que Rafael estava morto, a mãe planejou uma forma de ocultar o cadáver para evitar que qualquer suspeita caísse sobre ela. Por isso, vestiu o filho, pegou seus chinelos e óculos, e o levou até a casa da vizinha, onde sabia que havia um lugar para escondê-lo.

Conforme laudo, Alexandra decidiu ocultar o corpo, levando-o até a área da casa
vizinha, pois sabia que os moradores estavam viajando e que no local havia um
tapume que encobriria a visualização. Assim, após esvaziar uma caixa de papelão
cheia de sacolas com roupas usadas e retalhos de tecido que havia atrás do
tapume, a denunciada depositou o corpo da inocente vítima no seu fundo,
juntamente com um par de chinelos e os óculos que sempre usava, recolocando, por
cima, o material antes retirado, posicionando o tapume em frente.

Para o MP, Alexandra cometeu o crime por “motivo torpe”, ou seja, para atender seu sentimento de dominação e satisfação de controle.
Além disso, considera que a mãe cometeu crime por motivo fútil, pois se sentiu incomodada pelo fato da vítima estar jogando em um horário não permitido, além dele gritar e falar alto enquanto jogava pelo celular.

Conforme a denúncia, a denunciada cometeu o crime por asfixia, utilizando uma corda para estrangular o filho.

Ela também cometeu outro crime, de dissimulação e recurso que dificultou a defesa da
vítima, pelo fato de ter feito o filho ingerir diazepam justificando que ele dormiria melhor e a criança ter tomada sem saber da intenção da mãe.

Pelo fato de ter escondido o corpo do filho para assegurar que saísse impune, ela foi denunciada também pelo crime de ocultação de cadáver.

A denúncia por falsidade ideológica ocorre pelo fato da mãe ter feito uma declaração falsa no boletim de ocorrência para seguir com seu plano de afastar qualquer suspeita. Ela foi à Delegacia de Polícia e relatou o seguinte: “ao acordar, hoje, na hora dos fatos, percebeu
que seu filho, Rafael, não estava na cama. Afirma que a cama estava desarrumada
e sabe que o mesmo dormiu em casa. Rafael nunca fez esse tipo de coisa e não
sabe o que pode ter motivado o mesmo a ter saído de casa sem avisar ninguém.
Rafael levou duzentos reais em espécie. Nada mais”

Em manifestação ao Poder Judiciário, o Ministério Público afirmou que não foram encontrados elementos que pudessem evidenciar a participação de outras pessoas nos eventos.

“Ao contrário, o que se verificou é que a denunciada buscou, durante
toda a investigação policial, imputar a terceiros a autoria do desaparecimento de
Rafael, e, posteriormente, da sua morte, como forma de se eximir da
responsabilização pelos seus atos.”

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