98 enfermeiros morreram por coronavírus em um mês

Levantamento do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) revela que, entre 5 de abril e 5 de maio, o número de enfermeiros afastados do trabalho pelo novo coronavírus aumentou 48 vezes, saltando de 230 casos suspeitos e confirmados para 11 mil.

O relatório aponta ainda que as mortes triplicaram no período, passando de 30 para 98 óbitos em um mês. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro lideram o ranking.

A categoria somava 12 mil afastamentos até o último domingo, 10 de maio. Mulheres são as mais afetadas: elas totalizam 10 mil afastamentos e respondem por 60 das 98 mortes notificadas.

No Brasil, entre os enfermeiros, as mortes oficialmente confirmadas e as suspeitas somam 108, segundo o Conselho Federal de Enfermagem; 4.128 foram contaminados pelo novo coronavírus.

São Paulo é o estado com o maior número de casos. A gravidade da situação é clara na comparação com alguns países europeus. Lá, os números são referentes apenas a enfermeiros: 108.

A Espanha perdeu 42 profissionais de saúde entre enfermeiros e médicos. Na Itália, houve 79 mortes; também de médicos e enfermeiros, somados.

Os números do Brasil são piores até mesmo do que os dos Estados Unidos, o epicentro da doença. Lá, 27 enfermeiros e médicos morreram.

Homenagem aos mortos pela Covid-19

Ao cair da tarde desta terça-feira (12), 100 profissionais da Enfermagem se reuniram na área externa do Museu da República, em Brasília, para homenagear os 108 colegas que já perderam a vida na linha de frente do combate ao coronavírus. Nas costas, cada um trazia o nome de uma vítima e nas mãos, uma vela em homenagem aos mortos. Na medida em que os nomes eram projetados na cúpula do museu, um a um ia ao chão, até o momento em que todos ficaram deitados. No ponto alto da vigília, a emoção tomou conta da situação. Respeitando o distanciamento social, de máscaras, muitos profissionais foram às lagrimas, em silêncio.

O ato foi organizado pelo  Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnfermeiro-DF), Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (Sindate-DF), pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e Regional (Coren-DF). Os conselheiros federais Gilney Guerra e Antônio Coutinho, integrantes da diretoria do Cofen, e o presidente do Coren-DF, Marcos Wesley, acompanharam em silêncio a manifestação.

“A cada um que morre, você fica a pensar que o próximo pode ser você. Meus colegas foram deitando e, quando chamaram o nome que eu carregava, a sensação foi muito forte. Nunca vou esquecer o que senti naquele momento”, afirmou o presidente do Coren-DF. À imprensa, que cobria o ato, o conselheiro Gilney Guerra destacou a necessidade de valorização da categoria, que representa mais da metade dos recursos humanos em Saúde no Brasil.

O protesto também é uma forma de pedir melhores condições de trabalho. “A enfermagem já vem sofrendo com a falta de reconhecimento com ou sem pandemia. Mas, nesse momento, chamou a atenção por sermos profissionais da linha de frente e muitos estão perdendo vidas por causa dela. Mesmo assim está longe do reconhecimento ideal”, pontou a enfermeira Fabiana Sena à imprensa.

Fonte: Agência Brasil

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