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Réu por homicídio, marido de contadora demonstra surpresa com corpo localizado: ”Espero que investiguem”

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Ao saber da localização de uma ossada nesta segunda-feira (21), que pode ser de Sandra Mara Lovis Trentin, desaparecida há quase um ano, o marido dela, Paulo Ivan Landfeldt, acusado de ter encomendado a morte, demonstrou surpresa. Junto com os advogados, João Taborda e Breno Francisco Ferigollo, em um escritório no centro de Palmeira das Missões, na Região Noroeste, o réu concedeu entrevista a GaúchaZH durante a tarde.
O vereador, acusado de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, permaneceu quatro meses preso, mas agora responde ao processo em liberdade.
— Se for verdade, e se realmente for ela, espero que investiguem e cheguem a quem fez isso. Eu ao menos teria certeza — afirmou o vereador, que nega envolvimento com o crime.
Para os advogados, caso a perícia confirme que a ossada seja de Sandra, isso pode ser benéfico para a defesa de Landfeldt. Um dos argumentos dos advogados é de que o local onde estava o corpo não condiz com o depoimento dado por Ismael Bonetto, também réu no processo. Em fevereiro do ano passado, ele chegou a confessar à polícia que tinha matado a contadora com um tiro a mando do vereador e escondido o corpo. O cadáver, no entanto, não havia sido localizado.
Bonetto, que continua preso, acabou mudando de versão uma semana depois e negou o envolvimento do marido no caso. Ele afirmou que apenas tentou extorquir o político e que não teve relação com o sumiço da contadora.
— Isso faz cair por terra inclusive a primeira versão do Ismael, que depois ele desmentiu. Ele dizia que o corpo estaria em Vicente Dutra. E agora encontram em Condor, é um lado completamente diferente. Esperamos que agora eles investiguem e achem os verdadeiros autores, ao invés de só acusarem o Paulo — afirmou Ferigollo.
O defensor Antônio Korsach Filho, responsável pela defesa de Bonetto, afirmou que nesta terça-feira ingressará com novo pedido para soltura do réu.
— Assim que fui informado, fui ao presídio conversar com ele. Ele ficou mais tranquilo, espera que agora esclareçam. Entendemos como muito suspeita a localização desse corpo, neste momento. Até hoje não tinham encontrado. Acreditamos que alguém pode ter inclusive modificado o local desse cadáver O Ismael (Bonetto) não poderia ter feito isso porque está preso. E não tem relação com ninguém aqui fora. Isso só corrobora com o que sempre dissemos, que ele não teve relação com o desaparecimento da Sandra.
Segundo o delegado regional Carlos Beuter, o filho de Sandra, Romulo Trentin, reconheceu as roupas encontradas junto ao corpo como sendo da mãe. Também foram encontrados cartões bancários e de plano de saúde em nome da contadora.
Caso seja confirmado que o corpo é mesmo de Sandra, isso pode impactar no andamento do processo. O caso está em fase de pronúncia, no qual aguarda posicionamento do juiz definindo se Bonetto e Landfeldt devem ou não ser encaminhados para júri. No entanto, como acusação e defesa se basearam no fato de que não havia corpo encontrado, a instrução pode ser reaberta ou receber complementos.
Entrevista
Paulo Ivan Landfeldt réu pela morte da contadora Sandra Mara Lovis Trentin
O senhor sabia da localização dessa ossada que a polícia e o Ministério Público afirmam que pode ser da Sandra?
Não sabia de nada. Ninguém aqui sabia. Se for verdade, e se realmente for ela, espero que investiguem e cheguem a quem fez isso. Eu ao menos teria certeza. Essa incerteza de não saber o que aconteceu é terrível. Eu tenho minha consciência tranquila e digo sou inocente.
Após um ano do sumiço da Sandra, de já ter sido preso sob acusação de ter envolvimento na morte, como está a sua situação?
Não tenho palavras para dizer como está. Está péssimo. Eu sem saber a verdade, eu que sou o mais interessado em saber. Ter que enfrentar a sociedade. O afastamento das filhas, eu não consegui ver elas. Isso que me corta mais o coração, além da perda da esposa. Não tenho mais palavras. O sofrimento é imenso. O meu sono é umas três horas por noite, no máximo. Depois de passar todo aquele período de prisão. Cair num inferno, a penitenciária é um inferno na terra. A gente só espera que a verdade venha o quanto antes, o mais breve possível. Saber se realmente fizeram mal para a Sandra ou se ela está viva e que apareça. Para que passe a dor minha, da família e de todos os amigos. Que seja mostrado para a sociedade.
Um dos argumentos da acusação é que o relacionamento de vocês era de fachada. Que vocês não tinham boa relação. O que senhor diz sobre a sua relação com a Sandra?
Minha relação é como é do casal. Foi sempre perfeita. Não vou dizer que não tenha alguma briguinha, porque é normal. Nosso relacionamento sempre foi perfeito. Dizem que houve brigas, houve aquilo. Não houve nada. Minhas filhas são a prova, jamais viram uma briga do pai e da mãe. Jamais viram nós algum dia discutir. Isso está no processo. São boatos de redes sociais sobre meu relacionamento. Minha relação era boa, perfeita.
O senhor retornou para Boa Vista das Missões e para o cargo de vereador após ser solto? Como tem sido?
Retornei, estou em casa, trabalhando na prefeitura e exercendo cargo de vereador. No sentido do trabalho, normal, sou funcionário e tenho que cumprir. Mas é difícil num local público, onde tem que encarar toda a sociedade. Encaro o dia a dia e o que tem que sofrer é quando está sozinho, à noite.
O que acredita que pode ter motivado essa acusação conta o senhor?
Essa resposta quero que a Justiça me dê. Tenho certeza que não tenho nada a ver com isso. Essa acusação eu não devo. Tem várias hipóteses que a investigação podia ter seguido. Seguiram a linha em cima da minha pessoa. Eu não devo.
Como foi seu contato com o Ismael?
Foi pessoalmente, ele esteve na minha casa e, depois, por mensagem.
O senhor chegou a acreditar que ele tinha alguma relação com o desaparecimento da Sandra?
Aqueles dias foram terríveis. Fazia 18 ou 20 dias, eu tinha as filhas em casa, chorando, tinha o escritório com em torno de 80 clientes em cima, querendo saber. Naqueles dias surge aquele cara, com versão de que tinha informações da Sandra. Acreditei que ele poderia saber. Depois com a conversa dele foi descartado. A hora que tive uma prova a gente levou para a polícia.
O senhor chegou a pagar algo para ele?
Depositei mil reais, por conta das ameaças, mais de 40 mensagens. Ele diz várias vezes que estava com ela e se não fizesse depósito no valor que estava pedindo mataria ela, as meninas e eu. Ele se apresentou para mim como Bala na Cara. Eu plantei uma árvore e criei espinho para furar meu olho. Nas mensagens ele faz ameaças diversas: me mata, diz que não é para levar para a polícia, que vai matar todo mundo. A polícia não viu isso.
Apesar de todo esse contexto, o senhor ainda fala em esperança de encontrar a Sandra com vida. O senhor acredita nessa possibilidade?
Tenho, é a esperança maior. Vai ser a última que vai morrer. A gente torce que de uma maneira ou outra seja desvendado esse mistério. Eu preciso poder dar uma explicação para minhas filhas. Nunca mais falei com elas e não sei o que elas pensam.

Fonte: Gaúcha ZH