O Rio Grande do Sul é a segunda maior bacia leiteira do país.


São quase 200 mil produtores. 95% deles originários da agricultura familiar. A atividade está presente em 94% dos municípios e equivale a quase 10% do PIB Gaúcho. Porém, desde o ano passado, o setor enfrenta dificuldades. O motivo principal, conforme os agricultores, é o ingresso do leite em pó que vem do Uruguai. Um decreto do governo estadual de junho de 2016 baixou a alíquota para importação de 18 para 12%. O que fez com que a entrada de leite vinda do Exterior passasse de 27 mil toneladas em 2015 para 50 mil em 2016. A situação preocupa o parlamento gaúcho. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Edegar Preto (PT), afirma que a manutenção deste decreto vai inviabilizar o setor no Estado. “Se persistir essa forma de relação e o governo do Estado não revogar as medidas, corremos o risco de milhares de famílias ficarem inviabilizadas. É um problema muito sério para o campo do Rio Grande do Sul, e a Assembleia Legislativa foi convocada para agir e impedir que isso ocorra no estado”, avalia.

O deputado Edegar Pretto destaca as medidas que o parlamento gaúcho vai tomar para reverter esse quadro. “Vamos fazer debates regionais para chamar a atenção e instigar a mobilização. Também já protocolei um pedido de audiência com o governador Sartori, e vamos aproveitar a Expointer, que é a maior feira agropecuária da América Latina, para produzirmos um debate muito forte e chamando todos os interessados neste assunto. Este tema tem que estar na ordem do dia da feira, e não vamos deixar isso passar em branco”, afirma o parlamentar.

Levantamento realizado pela Emater aponta que cerca de mil produtores do Vale do Taquari já deixaram a atividade por conta da entrada do leite uruguaio. A importação brasileira de leite em pó do Uruguai em 2014 foi de 19 mil toneladas, 2015 de 49 mil toneladas chegando a 99 mil toneladas no ano passado. Neste cenário, o RS responde pelo maior volume importado: passou de 27 mil toneladas em 2015 para 50 mil toneladas em 2016. Somente nos primeiros cinco meses do ano o RS já buscou no país vizinho cerca de 15 mil toneladas, sendo que as compras são feitas por empresas multinacionais como Conaprole (cooperativa uruguaia), a suíça Nestlé e Lactalis (holandesa).

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