Número de policiais que cometeram suicídio supera o de mortos em confrontos

Mais policiais cometeram suicídio do que morreram durante o trabalho em confronto com o crime no ano passado. É o que aponta a 13ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Ao todo, 87 policiais foram mortos em serviço em 2018, enquanto que 104 tiraram a própria vida. Trata-se de um aumento 42% em comparação a 2017, quando 73 policiais cometeram suicídio.
Conforme o anuário, 76% dos casos (80) envolvem os policiais militares e 24% (24) policiais civis. Já em 2017, 71% dos suicídios foram cometidos por agentes da Polícia Militar (52) e 19% por integrantes da Polícia Civil (21).
Também foi registrado um aumento de policiais que tiraram a própria vida no Rio Grande do Sul. Foram três casos em 2017 e sete em 2018, um aumento de 133%. Dos casos de suicídios do ano passado, seis (85%) foram cometidos por policiais militares enquanto apenas um (15%) foi cometido por um policial civil. Já no ano anterior, 100% dos casos (3), foram cometidos por agentes da Brigada Militar.
Fora de serviço
Enquanto isso, a quantidade de policiais civis assassinados reduziu 8% em 2018 quando comparado a 2017, passando de 373 para 343 mortes. Deste, 75% (256) foram mortos enquanto estavam fora de serviço e não durante operações de combate à criminalidade.
Problema silenciado
Em entrevista à Agência Brasil, a pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Cristina Neme, que edita o anuário, os dados indicam que os policiais estão expostos à efeitos psicológicos graves. “No senso comum, o grande temor é o risco da violência praticada por terceiros, mas na verdade o suicídio está atingido gravemente os policiais e não está sendo discutido e enfrentado de forma global”, afirma.
Para a pesquisadora, trata-se de um problema muito maior que muitas vezes é silenciado. “São os fatores de risco da profissão que levam ao estresse ocupacional. Eles passam por dificuldades que outras pessoas podem ter, mas que no caso do policial esses problemas, quando associados ao estresse psicológico da profissão e do acesso à arma, pode facilitar esse tipo de ocorrência”, lamenta.