Alpestre: Prefeito, vice e secretários são afastados por fraude de R$ 10 milhões


O Ministério Público (MP) deflagrou, ontem, a operação “Paiol” para cumprir mandados de afastamento do prefeito, vice-prefeito, dois secretários e assessores de Alpestre. Junto com oito empresas gaúchas e catarinenses, eles são suspeitos de fraudes avaliadas em R$ 10 milhões na compra de maquinários e veículos, bem como na contratação de obras.
Foram cumpridos oito mandados de afastamento da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Foram afastados o prefeito Alfredo de Moura e Silva (PMDB), o vice-prefeito Genuir Cenci (PMDB), o secretário da Fazenda, Sérgio Juraski, o secretário de Obras, Oraci Matias da Silva, os assessores jurídicos Alcir José Hendges e Willian Balbinot, além dos assessores da Secretaria de Obras Amarildo de Souza e Gilberto Schutkoski.
Por 180 dias, eles não poderão exercer seus cargos junto à administração municipal. Ainda, foram cumpridos mais dez mandados de busca e apreensão na prefeitura de Alpestre, em residências dos investigados e em uma empresa de Chapecó, em SC.
Segundo a investigação da Procuradoria de Prefeitos, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Núcleo de Inteligência do MP (Nimp), o esquema criminoso funcionava desde 2013, durante a primeira gestão de Silva. Havia, desde então, superfaturamento na contratação de serviços e no fornecimento de peças, além do direcionamento de licitações para empresas que pagavam propina.
Conforme delações premiadas de empresários ao MP, o pagamento indevido era direcionado ao vice-prefeito Cenci. Os valores eram em torno de 15% dos contratos, especialmente, para compra de máquinas pesadas, pavimentação asfáltica e calçamento em geral.
Além das licitações, o esquema também atuava a partir do fracionamento de compras, para que não houvesse necessidade de concorrência. Peças de máquinas eram adquiridas até o valor de R$ 8 mil para evitar a necessidade de licitações. Com isso, empresas do ramo eram favorecidas mediante pagamento de propina.
Também houve irregularidades na compra de veículos para a frota do município de Alpestre. Por fim, o MP informou que surgiram indícios de enriquecimento ilícito por parte do vice-prefeito Cenci e do assessor Jurídico Hendges.
Participam da operação “Paiol”, que foi o primeiro nome da cidade de Alpestre, os promotores da Procuradoria de Prefeitos Alexandre Salim, Heitor Stolf Júnior, Rodrigo Lopez Zilio e Antônio Kepes, além do promotor de Planalto, Rodrigo Mendonça dos Santos, e do coordenador do Nimp, Diego Rosito de Vilas. Os trabalhos tiveram o apoio da Brigada Militar, do Tribunal de Contas do Estado e da Polícia Civil.